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terça-feira, 12 de maio de 2009

ALICE - E eles

O colegial nunca fora tão dificil. Alice sabe que na verdade, a trama social implícita nele é o que era o grande xis da questão. Questão essa que com certeza pra qualquer garota espeta de quase-13-anos seria mole de se resolver.

Não saberia dizer ao certo porque toda aquela pequena sociedade não hierarquizada precisava constantemente de uma tabulação. Solteira, namorando, peguete, piriguete. Era uma selva. E Alice, como sempre, perdida no meio.

As palavras nunca eram boas o suficientes. Se possível, sempre traduziam ao ouvinte sensações nunca experimentadas pelo locutor. Alice, sabendo da manha, se aproveitava para tirar casquinha das situações de todos os namorados que pretendia ter.

Como seria para aquele que senta lá na frente da aula de português, saber que Alice gostava dele? Praticamente uma paixão epopéia. A informação teria que atravessar toda a sala de aula, de bilhetinho a bilhetinho, na borracha da sorte ou até no cochicho de um sono.

Não. Nunca daria certo. Alice saberia que depois de tanta meia volta o que chegou até o menino foi exatamente o que Alice falou. E assim a festa fica chata. Melhor então pensar na gramática.



por robusti

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Você

É um daqueles que dá vontade
de ficar o dia todo embaixo da árvore
falando besteira.

É um daqueles que dá vontade
de ficar o dia todo cozinhando coisinhas
mesmo que saiam queimadas

É um daqueles que dá vontade
de ficar o dia todo jogando joguinhos
e fazendo nada

É um daqueles que dá vontade
de ficar o dia todo de mimimi
só porque tem paciência

É um daqueles que dá vontade
de ficar o dia todo implicando
e chateando porque é divertido

Estou num dia meloso.
Aproveite.



por Robusti

terça-feira, 5 de maio de 2009

ALICE - to louca?

Alice estava nervosa. Roer unhas não era um esporte preferido mas no caso de não ter um pote de chocolate para devorar, como toda pré-adolescente, acabou ficando com as unhas mesmo. Além das unhas e depois da útima sessão de cinema, percebeu que a sua vida estava escrachada num filme. Meio que nem um recorte e cole do dever de história sobre a Idade Média. É, agora ela entendia como não era legal para os nobres e os servos serem facilmente definidos com verbetes da web.

E ela? Porque era uma mistura de personagens imbecis que só fazem é complicar a vida um de cada um? Alice realmente não sabia o que fazer. E então? Ligaria ou não no dia seguinte para ele? Alice não se sentia esperta. Sua espertesa agora, era tão profunda como de um pires.

Alice sempre foi uma menina decidida e racional com suas coisas, independente das coisas serem os garotos. Ela queria poder resolver seus problemas emocionais tão bem como suas questões de matemática. Ela estava falando do casal amigo da escola, mas se deu conta que o filme que estava falando do casal que na verdade estava falando dela e de seus pensamentos. Alice se sentia idiota. E, saber que a negação da verdade implica em fazer besteiras não era o suficiente. Sabendo disso, ela com certeza iria mandar aquela mensagem de texto fofa para o ex-namorado.

Coisa pior que parar de falar com o seu ex-namorado é mandar uma mensagem de texto sem nexo para ele. Principalmente quando ela estava pensando no outro garoto da vez. Quer solucionar o seu futuro? Recorra ao passado e surte. Essa era a dica da vez. De merda, por assim dizer. Alice sempre foi confidente e conselheira das amigas, principalmente daquelas que repetiam a lenga-lenga para elas mesmas. "Não faça isso, sua burra", aconselhava.

E agora? Perdida, idiota e com uma mensagem de texto enviada para o garoto errado Alice se sentida mais confusa do que abóbora. A abóbora nunca vai saber o porquê de ter vindo ao mundo. Se é doce, salgado ou se é para dar medo em criancinhas. E quase que abóbora ela mesma, Alice não conseguiu ter nenhuma idéia genial, daquelas que se inventam as dobradiças ou de colocar sal no chocolate derretido.



por Robusti

quinta-feira, 23 de abril de 2009

ALICE - Bom dia é a sua mãe!

Alice acordou de novo. Atrazada, que droga. Já estava pensando em como, quando e porquê não ir para a primeira aula. Calçou os sapatou e foi para o banheiro. O sono não era muito, mas era confortável. Ele a embalava e a ninava, dava cafunés e abracinhos. E era tudo isso o que Alice mais queria. Mentira, diamentes são os melhores amigos das mulheres. Bom, mas na falta deles, uma cama quentinha é bem proício, não? Olhou o relógio. Droga, ainda dá tempo de ir pra aula. Olhou a cama confortável e lembrou de todos aqueles sentimentos que a envolviam há cinco minutos atras. Droga, pensou Alice, quero colo, já no ônibus.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

ALICE - Toda toda

Alice não sabia das consequências da vida. Na verdade, Alice pouco pensava nessas coisas. Doze anos não era idade de meninas e um futuro melhor andarem juntos.

Festas, sociais, rock'n'roll. Descolada e cheia de yeah-yeah-yeah a garota problema pouco entendia o que seria confusão. Alice pegava carona de moto para Angra com o amigo do ICQ para ir numa rave. Normal ué, amigo não era pra essas coisas? E dividir a casa com o amigo que se conheceu no metrô? Todo mundo tem problemas de grana.

Alice mesmo que adolescente inconsequente morava sozinha. Morava sozinha porque sua única família tinha 87 anos, perda de memória recente e sempre almoçava um número aleátorio do Mc Donalds.

Cheia do dinheiro e vazia de noção, Alice magrela fazia do seu nariz o bem o que entendesse. Além do nariz, o umbigo de Luana ia muito-bem-obrigado com seu mais novo piercing de borboleta rosa. Ninguém sabia disso, é claro. Luana não estava nesse mundo pra ficar mostrando a barriguinha pra qualquer um.

Segunda tinha o Carlinhos. Mas ele era simpático. Alice, não sabia muito bem porque tinha começado aquele rolo. Terça era sempre dia livre, pra variar o almoço, ir no cinema e coisas legais. Já quinta o André aparecia na sua casa pra dar uns beijos. Final de semana era do Guilherme, porque esse era o namoradinho. Ué, que mal tem?


por Robusti

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Henrique

Henrique desligou o telefone. Ele não se sentia bem. Não sabia, ao certo, o que era que incomodava. Cansaço, dor de cabeça, enjôo. Tudo era chato. Henrique sabia que muito daquilo tudo poderia ser mais uma ridícula tentativa de tentar se ocupar consigo mesmo e que não daria certo. Pedro estava na sala, lendo revista de mulher. Não tinha nem idéia do que se passava na cabeça de Henrique. Pedro, na verdade, não tinha muito porque pensar nisso e virou mais uma página. 

O calor abafava, o ventilador não funcionava e tudo tinha algum motivo para incomodar. Por mais que houvesse coisas novas em sua vida, olhe o Pedro lá na sala, Henrique perdia seu foco para fora do mundo e concentrava-se a oscilação da intensidade da luz do seu quarto quando alguém estava tomando banho. E como isso o incomodava. Tudo lhe dava dores de cabeça. 

A felicidade já não mais se encontrava ali. Pedro que era um cara legal, o divertia e o fazia sorrir quando estava por perto. Eles se gostavam. Mesmo assim Henrique tinha que procurar catalogar como e onde todas as coisas do mundo o incomodavam. A animação de Pedro até empolgava Henrique, que com desgosto o descrevia como um novo necessário. Ele sabia que não era feliz, mas não se achava triste. Era quase que impossível estar deprimido. Essas coisas só acontecem com os ricos, já dizia a revista de mulher. Então, perdido no mundo, Henrique continuava a se entediar.

Pedro vira mais outra página e o saco plástico fazia um barulho terrível por causa do ventilador do quarto. Henrique sabia que a culpa não era do saco mas mesmo assim o jogou fora. O enjôo aumentara e ter que levantar da cama para pegar o saco lhe mostrou que estava tonto. Pedro virou mais outra página e Henrique... Ele estava virando uma dona-de-casa. 


(continua?)


por Robusti

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Lorotinha Parte Três. 2ª Edição

Teresópolis. Lugar calmo e fresco onde a sua vó vai sempre para fugir do Verão. É um lugar onde aquele dedinho de Deus tocou sem pudores para deixá-lo ainda mais sereno e acolhedor. Teresópolis, na nossa vida, sempre esteve lá. E sempre existiu o apartamento de terê. 

Era um apê simples, ele nunca quis ser mais nada do que um 2 quartos com um banheiro. Os seus dois humildes quartos ficam um do lado do outro em que suas respectivas janelas são juntas, separadas somente por uma parede. Quer dizer, pode ser que já tenha sonhado com uma suíte certa vez. Coitadinho, mas ele não tem culpa de nada. Querer ser uma mansão, quem sabe, aí sim ele iria para o Inferno.

Além de vovó, todos nós gostamos um pouco de fugir do Verão. Não podemos ser egoístas e querer deliberadamente tomar o lugar do nosso querido gringo na nossa praia. Que aburdo! E então estávamos todos lá, socializando na madrugada sala adentro como normalmente os normais fazem, ou quase isso. 

Bebida, joguinhos, bebida, cigarros, cartas. Era realmente um dia monótono na vida de adolescentes transgressores das leis que não estavam transgredindo nada. Chato. Bebida, joguinhos, bebida, cartas. Chato. Nem uma maconhazinha ou muito menos um strip poker para animar a todos. 

O grupo estava lá, meio altinho, quase sóbrio. Até tinha alguém ganhando no Imagem & Ação. Acontece que nem na sua e nem na vida de ninguém isso ia ficar assim. Chato. Obviamente cada um foi querer fazer algo mais interessante. Sei lá, tentar ganhar uns beijinhos de umas das meninas, quem sabe. Mas se você já tem uma namorada, não tente fazer isso com ela no mesmo apartamento de verão que você esteja. 

Chato. Um dos meninos vai ao banheiro. Só Deus sabe o que o banheiro tem a oferecer melhor que aquela monotonia de sempre. Seria mais do que miraculoso se o dedinho de Deus aprontasse de novo e colocasse uma stripper no banheiro. Aí sim o apartamento iria agitar. Mas Deus, em sua infinita sabedoria, pôs o dedinho no meio mas não pôs a stripper. É, acontece com todo mundo e com certeza vai acontecer com você, amiguinho.

O cara do banheiro termina seus trabalhos e olha envolta. Esquerda, chatice. Direita, cama. Não tem muito o que escolher, a profundidade da questão não é maior do que a de um pires. Cama. 

Cama, cama. Teto, teto. Lustre. Olha, estrelas! Sim, Teresópolis não tem a delicadeza da poluição e muito menos a suavidade de um trânsito. Imagine! No máximo ela é prima em terceiro grau de uma cidade grande. Mas entenda, as estrelas encantam. Já dizia Neil Gaiman que elas são gostosas pra caralho e com certesa confirmado por Yvaine.

Estrelas, janela, estrelas! O sopro do vento gelado bate no rosto e ele olha para o outro lado. Olha pra cima, olha pra baixo, esquerda, direita, esquerda de novo. É ali que percebe a outra janela, aquela mesma daquele quarto que um dia já quis ser uma suíte. Baixo, cima, direita de novo. Para Tico e Teco não há confusão. Quem não iria pensar em atravessar quase três da manhã de uma janela para a outra? Imagine só, o que todos nós teríamos a perder? Obiviamente, ninguém tem problema com um braço a menos ou uma perna quebrada. 

A idéia do cara é tão inacreditável como uma nota de três reais. E talvez por isso que ela se fincou ainda mais entre os dois esquilos. Tadinhos, estavam mais do que abobalhados com as estrelas. Primeiro mão, é sempre bom ter onde se segurar se alguma coisa der errado. Depois pé. E, por último, todo o resto.

Homem! Mulher! Preto! Branco! Michael... Jackson? E fim de jogo. Elas ganharam, sempre ganham. Mulheres são sempre como aqueles bichinhos peludinhos fofos que dão medo e mesmo assim a gente cuida deles. Elas obviamente tem um código secreto para vencer no Imagem & Ação, talvez uma piscada de olho a mais ou um mamilo rígido. A gente ainda aprende. E então, quem quer jogar de novo?

Estava chato e quente. Era melhor com um ar-condicionado, pelo menos. Ou não. Melhor pensar que é um absurdo falar que falta alguma coisa na terra que Deus está sempre cutucando com seu dedinho. Então uma delas levanta e vai pro quarto. E falar que Deus não tem senso de humor mesmo tendo criado o onitorrinco é sacanagem. Obviamente acendendo a luz ela vê: janela, mão, pé e todo o resto.

Três da manhã, segundo andar e uma cidadezinha do interior. Um desajeitado e másculo oi faz o cachorro do vizinho uivar nervosamente para a lua com medo do agudo do grito da garota. O susto foi maior do que língua de manicure. Ele quase cai nove metros abaixo, com medo do medo ela. A garota imóvel ainda tentava entender que merda era aquela. Porque o imbecil pula de uma janela pra outra no exato momento que você está acendendo a luz? São três da manhã! Ele vermelho que nem pimentão pede desculpas e tenta explicar que a legaucidade da parada era ver que o espírito de Peter Pan persiste. Do nada ela começa a rir, agora sim todos acham que ela pirou. 

Chamar a mãe de profissional do sexo entre mais e mais risadas foi leve. Só quando um gritado PORRA PENSEI QUE FOSSE UM LADRÃO, SEU FILHO DA PUTA saiu é que ele riu também. Depois disso, só risadas e histórias disputadas de que eu tive o melhor ladrão na minha casa. O dedinho safado de Deus ainda está lá, como sempre, pronto para cutucar as melhores férias.



Por Robusti*

domingo, 11 de janeiro de 2009

Click

- Hã... É... Alô?
- Alô, quem é?
- Ei Nik, sou eu...
- Ah, oi.

Pausa.

- Pera ae. Porque você está me ligando?
- É que, bem... Estou preocupado Nik.
- É pra isso que você me ligou? Só pra isso?
- Não me entenda mal, não quero te irritar.

Pausa.

- É óbvio que você está preocupado, estamos brigando faz anos.
- Eu sei...

Pausa.

- Nik, eu não quero morrer.
- Mas quem falou em morrer? Ninguém falou DE FATO em morrer! Você sabe disso.
- Eu sei... Eu sei... Mas...
- Mas?
- Mas o Castro... Ele está sendo REALMENTE convicto.
- Hnm.
- Eu não quero morrer Nik!

Pausa.

- Ken, do que você está falando?
- Ele está apontando pra mim! Eu vi!
- Está... apontando?
- Sim! Isso! Fazem já 3 dias! Estou apavorado Nik!
- Hnm.

Pausa.

- É... Me dá um segundo, ok? Já te ligo.

Click.

- Oi! É...
- É?
- É... A situação não está boa não.
- Sim, oras! Eu sei! Porque você acha que eu TE liguei?
- Era para ele guardar. Guardar!
- Ele é louco, Nik! Como você pôde dar mísseis nucleares pra ele?
- Eu não achei que ele fosse TÃO louco assim.
- Como assim você achou que ele não fosse louco!? Você viu a foto!?
- Me dá um minutinho?

Pausa.

- Vi.
- Então!?
- É...
- É!?
- Ele é louco mesmo. Ele VAI matar todos vocês.
- Como assim ele vai matar todos vocês? Faça alguma coisa! Ele é do SEU lado!
- Ele não É do meu lado... Eu só pedi para ele guardar umas coisas pra mim. Só isso.
- Não importa! Arrume essa bagunça! Agora! Eu não quero morrer Nik!!
- Você só me liga quando está com problemas!
- Não é bem assim. Eu gosto de você.
- Está bem... está bem... Farei o que posso.
- Obrigado.
- Tchau Ken, se cuide.
- Tchau.

Click


por Robusti