sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

peso.

- aaaai! meu estômago vai fugir.
- que vai fugir menina?!
- meu estômago. ele tá me batendo por dentro, eu sei que está tentando escapar.
- você é doida!
- não sou doida! você que não está na minha pele!

sabe, dizendo isso entendi que era verdade: o problema é que ele nunca esteve na minha pele. nossa comunicação jamais conseguiu ser mais (ou menos) que verbal. e falar estava começando a me incomodar.
quando digo algo, não quero que sejam palavras representando uma figura objetiva e sim que fiquem suspensas no ar, dando cutucões leves, fazendo cócegas nas pessoas ao redor, causando sensações. minhas palavras são sensações.
não era tão dolorido falar antes, eu estive ansiosa por falar tudo de mim e ouvir tudo dele, podia tocar as palavras e transformá-las em cubinhos sólidos, colocá-las no bolso e na verdade muitas delas eu ainda guardo. hoje em dia solidez não me atrai, e tenho lançado tantas coisas fora na tentativa de diminuir o peso da não-compreensão que carregar a minha leveza tornou-se um fardo insustentável.
quanto menos eu falo mais ele preenche o espaço de tempo com dúvidas, acusações, provocações e por fim, transforma meus momentos de silêncio reflexivo e tentivas de encontrá-lo na minha essência em momentos de constrangimento e culpa por não estar "ligada em fazer dar certo".

vendo esse olhar ansioso e esse nariz reto podia jurar ser um pedaço de mim, se eu esticar um pouquinho o braço posso tocar sua alma e talvez
- disse alguma coisa?
- não, eu não.
- achei que tivesse ouvido você resmungar.
- não resmunguei nada, só te encostei, não posso? pelo visto não, parece ter espinhos...
- espinho eu?! você
(...)

por A.Aurea

Um comentário:

Papacu disse...

Sus palavras me causaram sensações.